algumas posturas estranhas, lugares estranhos, objetos estranhos, tudo o que é perceptível por qualquer dos sentidos mas que não vai além de você ou de mim.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Teresita Fernández


Veja como é a fumaça, tremula pelo teto como se estivesse com medo. Mas ela só precisa do ar e lá fora, ela tem todo o espaço para si. Mas ela não sabe disso e fica tremula, presa sob o telhado. Acontece o mesmo com o homem. Ele treme como uma folha ao vento pelas coisas que sabe e que não sabe.

Você tem que atravessar sobre um tronco fino. Tão fino, que não saberá onde se segurar para não cair. Sob você, ha um rio, um rio negro que quer engolir você. Mas você sai ileso. Agora ha uma vala à sua frente tão profunda que não consegue ver o fundo. Mãos se estendem para você, mas não conseguem alcançá-lo. Finalmente, você se vê diante de uma montanha de horror. Ela cospe um fogo ardente e um buraco assustador se abre. Chamas de todas as cores saem dele: cobre, ferro, azul vitríolo, amarelo esverdeado. Raios saem das chamas que cegam e correm, as rochas e os homens parecem indefesos como formigas. Esta fornalha devora assassinos e estupradores. Quando você acha que esta perdido, uma mão o agarra, um braço o abraça e o leva para longe, onde o mal não terá mais poder sobre você.


Ingmar Bergman em “A fonte da Donzela”.


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